Relato

Ainda sou jovem, consegui um trabalho para pagar minha faculdade. Estou bem, jovens como eu nem sempre seguem esse caminho. Passo por perrengues, pois estudar e trabalhar não é fácil.
Estou no último ano da faculdade e não sei se é isso que quero mesmo da minha vida.
Me formei. Não vou trabalhar com isso.
Conheci uma pessoa, vamos ter um filho. Me casei.
Temos uma empresa nossa. Tenho mais 2 filhos, 3.
A nossa empresa faliu, vamos tentar montar outra num lugar novo. Conseguimos.
Fechamos nosso novo negócio. Vamos nos mudar para longe.
Meus filhos saíram de casa, todos estudando, que orgulho!
Meu trabalho está acabando comigo, mas eu tenho uma casa.
Todos amigos que tive até hoje me passaram a perna, não existe ninguém que presta.
Sinto falta de conversar com pessoas mente aberta, não que eu seja.
AAAAh, que tédio, vou pular da cama pro sofá.
Hoje é domingo e eu estou assistindo Faustão, um ritual de décadas.
Eu cansei, mas daqui a pouco passa.
Passou.
Cansei, tá difícil de passar.
Amanhã.
Hoje, amanhã. Tá tudo a mesma coisa.
Boa noite, até amanhã.

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Desenvolvimento do intangível

Que agonia dominical, a vida real exige muito esforço.
Deve ser esse o motivo pra essa sociedade contemporânea viver dos outros. Se na novela viajam, viajamos juntos sem precisar sair de casa. Há mais conforto que isso?
Não preciso do estresse que é planejar uma viagem. Não preciso me preocupar com as brigas na vizinhança, pois depois que a novela acaba a vida amansa na cama.
Amanhã quem sabe não visito um terraço no Rio de Janeiro.
Conflitos internos? o EU? mas e a novela? pra que horas fica?

Prazer Stuart Hall

Viver em época de transição mundial não é fácil. Geração que vive com um pé no passado e o outro no novo. Essa frase já determina bastante coisa, a confusão de sentimento por exemplo. Essa troca brusca de valores, de ideais afeta ainda mais nós jovens que estamos construindo juntos esse novo mas que fomos criados pelo “velho”, ou esse velho vai ser nosso novo? e esse novo sempre existiu? Se sim, não quero mesmo cair nesse velho como nossos educadores, mas isso é outro assunto.

A questão é no que sentir e no que acreditar, tanta informação que não é filtrada e que bagunça a nossa mente, será que seremos lembrados apenas como confusos e contraditórios? As vezes queria só um pouco de conforto mental, ou então saber qual é o motivo dessa minha crise de identidade. Mas será que há motivos mesmo, ou é só por ser tempos de mudança? Não sei, na real as vezes acho que não sei de nada! E minha cabeça está assim desde que me conheço por gente, cheia de questões. Como aquelas coceiras que a gente sente mas não sabemos onde exatamente ela está, só que eu ainda não senti o deleitamento de encontra-la.
Meu corpo já ta carne viva de tanto me coçar!

Definhar o corpo

Eu definho quando tomo leite de caixinha

Eu definho quando como um churrasquinho

Eu definho, nós definhamos, vós definhareis (?)

Nunca me senti tão unido com o resto do mundo.

Definhamos nossos corpos todos os dias

Definho meus organismos com meu trabalho ingrato

Mas já que estamos todos definhando corpos

Por que eu não posso escolher com que vou definhar meu corpo?

Então eu quero derreter!!!

quero definhar com as cores, com os sons, com as paisagens.

Com as palavras, com os conceitos, com todos.

Vou definhar assim como todos vocês, mas claro, VIVO.

Desabafa meu filho

Um dos pensamentos que essa matéria me leva é até obvio, de que é importante desconstruirmos esse padrão de beleza que nos é imposto e me lembra também um acontecimento que quero compartilhar.

Normalmente eu me cobro muito para melhorar interiormente e mudar minha maneira de pensar conforme vejo que conceitos antigos possam me limitar.

Há algum tempo, desde que entrei na universidade, passei a conhecer pessoas de todos os tipos e pessoas que pregam liberdade, e em todos os sentidos da palavra. Começo então a me cobrar ainda mais, pois vejo que me prendo muito a atitudes arcaicas.

Sou observador e percebo uma certa hipocrisia em alguns grupos que pregam tal liberdade, e que de alguma maneira estão segregando pessoas que eles julgam não se enquadrar no seu estilo libertário. Padronizam a forma de se vestir, assim como “os normais”, padronizam pensamentos e musicas, padronizam a IMAGEM.

Enfim, encontrei numa festa um musico que eu admirava, e que tinha a perfeição da evolução no desconhecido. Uma pessoa nos para, eu e o musico, e nos diz que temos traços semelhantes, apenas. Esse musico com o ego ferido vira para mim e faz questão que eu saiba que as pessoas acham ele bem mais bonito que eu, sem mais nem menos. Então fico sem reação, pois fui colocado numa estrutura hierárquica de beleza, num lugar que eu nunca imaginaria que ocorreria. E me pergunto por que me cobro tanto? Por que eu quero me libertar, quero sentir as pessoas de uma maneira mais humana e infelizmente não é isso que as pessoas que eu admirava estão buscando. Não que isso seja obrigatório e necessário mas é hipócrita e isso me desmotiva.

E essa mulher deve ter sofrido muito, ainda mais na época que ela estava contextualizada, e mesmo depois de anos a estética ainda é um importante requisito para qualquer, QUALQUER decisão humana.

Não quero colocar lição de moral, é mais um desabafo que pode ser equivocado….

http://www.ideafixa.com/mondo-bizarro-feio-e-voce-que-e-triste/

Simples gozo codificado

A existência dos não-lugares, elucidada na ideia de Marc Augé, faz-se pensar na possibilidade das não-pessoas àquelas que não caminham ao acaso, mas que também, querem o gozo, mas um gozo contratual. Deixou-se de lado o orgânico da socialização.
 Chuva de granizo que se derrete antes mesmo de chegar ao solo, está quente. Seria mais fácil se essa chuva não tivesse se formado, assim só queimaria e não daria margem pra um choque térmico que explicita a mudança brusca da época.

Lisérgico e amorfo

Experimentação e desconstrução. Todas partem do principio de aceitação?
Meu corpo grita quando penso nas duas. Começo a sentir meus pés congelando, meus músculos da perna se contraem, rapidamente sinto minha barriga avisar-me que estou em processo de experimentação e desconstrução, então é como ter uma convulsão mental, meu estomago vomita, meu corpo e minha cabeça e vejo tudo de longe. Quebrar um pensamento que sempre foi ideal, o qual não escolhi, foi-me imposto. Como cheguei aqui? de corpo. Alma eu ainda não sei. é tudo tão lisérgico e amorfo…

((( )))

O espaço dá abertura pra tanta coisa, essa palavra é auto explicativa, é uma palavra coletiva e individual, e existem vários individuais, assim como ondas concêntricas. Hoje não estou no mesmo espaço que você, e sinto falta, digamos que estou na onda mais ampla e você lá, na mais pequena, e essa longitude fica muito evidente quando dou-me conta do espaço em que estou e me insiro nele, as divergências se explicitam e abro espaço para a saudade, que se espalha e preenche todo lugar que me encontro. Daí eu faço o seguinte, olho pro teto da onda que estou, que é branco igual o da sua onda, e olho fixamente, de repente estou eu na sua onda, apenas observando o que você está fazendo, indo pra cozinha fazer um café, voltar para o seu quarto e fumar. Tudo fica ameno, estou tomando um sol, esse mesmo que entra pela sua janela e que sempre me refiro

Amor para trois

Ah… como sou grato!
Não sou de escrever genialidades eruditas, tento registrar o que sinto ou penso. Mas como Clarice Lispector diz “quando
tento falar o que sinto acabo me transformando no que falo e não no que realmente sinto” ou então como ouvi Viviane Mosé pronunciando uma certa vez “o ser é incomunicável”, mesmo assim vou tentar descrever a bola de ar na garganta que te faz falar abobado, vulgarmente conhecida como felicidade ou amor. Tudo parece estar em sintonia quando 2+2=3, gosto muito do número 3, não é atoa que nasci no dia TREze e dois mil e TREze foi um ano renovador.
Ainda não viajei o mundo, não consegui mudá-lo, não entrei na faculdade (aliás, eu larguei), desfaleci meus heróis, não comprei um carro (e nem quero),não comprei uma casa de 3 andares, larguei empregos. Essa é a hora que você leitor deve se perguntar o que tem de tão bom em dois mil e TREze. Realmente não sei explicar, mas hoje me disseram que dois mil e TREze é um ano de mudanças, desde as mais irrisórias.
Esse ano finalmente conheci o número 3, e reforcei ainda mais a idéia de que a troca é mais do que necessária é essencial. Não estou dizendo que a felicidade só está nas coisas pequenas e simples, como Paulo Coelho deve dizer, mas está nas mudanças, no sofrimento que rasga a alma, na necessidade e principalmente nas pessoas que trocam suas idiossincrasias entre si, que me mostram caminhos. Hoje senti uma enorme bola de ar na garganta só por estar onde e com quem queria estar e o motivo desse texto é apenas para deixar registrado o quão sou grato por conhecer quem conheço, pelo futuro que me aguarda, por ser volátil, por nós três fazermos planos voláteis e por amar. E já que estou cheio das citações, termino com uma piegas mas de um ser que admiro muito “A felicidade só é verdadeira quando é compartilhada” McCandless.                                                                                                                                   Imagem

Com amour para nós três.

 

Má ideia. shiu!

Descubro que em meu ser há uma esfera cintilante que muda de cor junto as ignomínias desejadas. Tal esfera intangível e ignota faz-me pensar que sou sujo, flácido, vazio e caráter de pouco valor, daqueles que fazem figas para algo dar errado e assim originar a emoção do momento. Estranho sou para mim, como se cada palavra que jogo fosse ilegitima. Um {des} controle irreversível, a vulnerabilidade social que sinto deve ser a mesma sensação de estar no topo do Taipei.
Sou inseguro com que digo, com que escrevo e faço. Estou me vitimizando. Taí outra coisa que apodrece minha índole. Mas será que o mal está só em mim? As vezes imagino se todas as pessoas expusessem seus pensamentos mais sinceros e desastrosos. Todos somos ruins e gostamos de sofrer, em virtude disso adoramos escancarar nosso sofrimento e esconder nossas irregularidades mentais.